terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sobre vendas diretas e consultorias

Não é novidade que sou agente de viagens, nem que de vez em sempre quando eu me estresso na profissão. Até então, toda profissão tem aborrecimentos e pressão, além dos desafetos que sempre surgem. Acontece que, diante do aumento das vendas diretas – cliente ->fornecedor – as agências estão cada vez mais sendo vistas apenas como consultoria / SAC. E nessa situação, temos alguns pontos fundamentais que estão contribuindo pra falência da minha profissão. Além das vendas diretas, a busca de agências apenas para esclarecimento de dúvidas e solicitação de documentação e emissão de bilhetes de programas de pontos, serviços gratuitos – ainda que não obrigatórios – vêm tirando o sono e a renda dos agentes. Esse é o motivo da minha reclamação a seguir.

Hoje, todo mundo pode comprar suas viagens direto pela Internet. Muitas vezes, as operadoras, companhias aéreas e o setor hoteleiro oferecem melhores preços pras vendas diretas. Isso porque não precisam pagar a comissão que seria repassada às agências. Enquanto vendedores, os agentes de viagens basicamente vivem disso: nós revendemos os produtos de operadoras e demais empresas do ramo de viagens e turismo. Sobre esse serviço, é paga uma comissão que pode variar de 5 a 20% sobre o valor da venda. Na maioria das vezes, esse repasse é de 10%. Como as vacas andam magras, todos recorrem ao mais barato, e com isso as vendas diretas aumentam e as agências têm queda de receita.

Entretanto, o público em sua maioria não está acostumado com a burocracia de viagens, a política, além de todo o processo de solicitação dos documentos necessários pra se realizar uma viagem. Então, o que eles fazem? Recorrem aos profissionais de viagens e turismo para sanarem suas dúvidas e até para terem auxílio na solicitação e emissão desses documentos. Por exemplo, a solicitação de passaporte pode ser feita direto no site da Polícia Federal, mas muitos nos procuram para que façamos a solicitação, serviço pelo qual, até então, a empresa onde trabalho não cobra. Isso nos toma tempo e gera despesas, como papel, tinta, e às vezes ligações telefônicas. Ainda assim, muitos desses supostos clientes só vêm à agência para fazer a documentação ou tirar dúvidas, e efetuam a compra direto, pela Internet ou nas lojas de franquias das empresas de viagens.

Pra agravar a situação, algumas empresas do ramo hoteleiro e operadoras de viagens oferecem disponibilidade de reservas para os clientes quando, para agências de viagens, essa disponibilidade já está esgotada. Como? Simples. Eles possuem vagas, mas se reservarem o serviço para uma agência de viagens, ganharão menos, pois terão de comissionar a agência. Então, para a agência eles informam que não há disponibilidade, mas se o cliente entrar em contato com essas empresas, há vagas.

No fim das contas, tudo conspira para que os clientes dependam cada vez menos das compras via agência, mas os mesmos não abrem mão da comodidade de buscar um agente para serviços burocráticos e gratuitos. Agentes não são pagos para emitir passaportes, solicitar vistos ou reservar bilhetes de milhagens. Já que se tornam cada vez mais independentes na hora da compra, não seria justo que os então passageiros fizessem o mesmo ao buscarem as informações e a documentação para suas viagens?

2 comentários:

Kevin disse...

nooooossa, esse lance dos caras diretos conseguirem vagas e não falar para a agência é mto foda! =/

Mas deve ser frustante ter que aguentar o brasileiro e a lei de gerson!

Daniel Iserhard disse...

Seria, e acho uma absurdo/burrice não cobrarem por esses serviços. Tô contigo ruiva!