Hoje os meus planos eram vir pra casa e arrumar a minha bagunça, fazer meu relatório de bônus da TAM (porque a maré ta ruim e não é todo dia que eu vendo econômica pra Nova Iorque e ganho cartão multicash pra gastar no supermercado) e me encher de chocolates lendo o Eu, Hein!, que por sinal, recomendo veementemente. Eu fui idiota e comprei o livro podendo ler todo o conteúdo na Internet de graça e em cores, mas eu e o papel temos uma relação inexplicável de posse. Enfim, e por que é que eu estou falando isso? Porque obviamente meus planos – as always – não deram certo. Tudo isso causado por uma missão dada a esta que protagoniza o blog.
Há tempos eu tenho deixado a minha criatividade fluir e a sinceridade sair. É tão mais simples quando eu quero dizer as coisas, e tão complicado quando sou obrigada a dizer que, como eu só tomo na bunda me dou mal, hoje não poderia ser diferente. Eis que eu vinha pra casa com aquela cara de poucos amigos, evitando assim que vizinhos simpáticos demais resolvessem me parar pra papear, mas foi inevitável: lá estava ele, o coordenador do Encontro de Casais da igreja. E o que eu, encalhada, solteira, teria para conversar com tal elemento? O sujeito me abordou dizendo que meus tios estão fazendo um Curso de Casais (oi?) – detalhe: eles são casados há dez anos e só agora resolveram fazer curso – e que a família precisa enviar uma mensagem ao casal.
Pausa para que você adivinhe pra quem obviamente sobraria essa pica árdua tarefa.
Ao chegar em casa, minha vó que já estava ciente da missão, foi logo dizendo que eu tinha de redigir a tal mensagem em nome da família. Peguei-me pensando sobre como diabos eu vou escrever uma mensagem religiosa, sendo que eu sequer vou à igreja, e o casal em questão até outro dia estava quase se divorciando por conta de um imóvel. Eles se amam, isso é fato. Ou já teriam matado um ao outro. E eu adoro os dois. Mas o que de agradável, comovente, e religioso, eu poderia escrever? Eu tenho minhas particularidades quanto às divindades impostas pelas religiões, e falo isso aqui sem medo de acharem que sou uma desvirtuada. Só que isso não foi sempre assim, eu fui criada num ambiente católico, sair desse casulo foi um tanto difícil e não são todos os que me aceitam assim aqui em casa, mas outro dia eu discorro acerca de religiões...
O foda problema é que, como todos na minha família sabem que eu escrevo (só não sabem o que eu escrevo, ainda bem), como eu já fui católica, catequista – quem diria?! – e essas coisas sempre caem no meu colo, eu não tive opção senão aceitar a tarefa. Se me pedissem pra escrever sobre Engenharia de Produção eu teria mais sucesso. Tentando não decepcioná-los, prontamente abri meu bloco, esperando que alguma inspiração divina (já que é mensagem religiosa, bem que eu poderia ter uma ajudinha...) me fizesse escrever belas palavras. Fiquei na espera. Resolvi desopilar por aí, calcei meus tênis e retomei meu projeto Gostosa 2009, pra ver se até o fim do ano eu consigo algum resultado. A caixa de Bis vazia insinua que não, isso não vai acontecer. Caminhei, corri, tentei me inspirar na lua cheia que já aparecia no fim da tarde e nada.
Pensei que tivessem esquecido que haviam me dado esse abacaxi pra descascar, mas assim que saí do banho minha prima já batia na porta querendo saber se eu terminara a mensagem. Não tem jeito, eu não tenho como fugir disso, vou ter que me desdobrar, usar toda a criatividade que eu supostamente possuo e fazer um texto de arrancar lágrimas.
Na verdade, eu queria muito escrever sobre um amor capaz de mover mundos e mudar pessoas, sobre o quanto eu acho lindo que duas pessoas consigam dividir suas vidas e superar problemas. Queria dizer pra eles que não é todo mundo que consegue manter um casamento por tanto tempo e ser feliz como eu acredito que eles sejam. Queria confessar que apesar de não me imaginar casada, eu acho isso triste e sinto que eu nem sempre vou ser feliz sozinha. Eu nem sou. Queria falar de união, de fidelidade, de respeito, da nossa família grande que nunca se desgruda. Mas não consigo. Não consigo porque não saem palavras adequadas a nenhuma religião. Porque talvez eu não sinta esse deus de pecados, dízimos e mandamentos abençoando uma união.
É agoniante estar nessa situação, e não ser capaz de adaptar tantos votos bons (pelo menos eu creio que sejam bons) num contexto que não faz parte de mim. Me sinto inútil diante da impossibilidade de passar uma mensagem de confiança e de fé pra pessoas tão queridas porque tenho de moldar minhas palavras a um padrão que me foge à compreensão. Pior, é praticamente impossível dizer isso a eles, mostrar o porquê de eu falhar na missão. Eles nunca entenderiam. E se isso está aqui, é porque eu tenho certeza que nenhum deles vai ler.
Sábado, 4 de Julho de 2009
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Conto Universitário
O barulho do salto subindo as escadas denuncia a pressa em chegar à sala em tempo de encontrá-lo lá. Ela passa pelo corredor a passos largos e ao se aproximar, pelo vidro da porta ele a sorri. Gesto suficiente pra prender qualquer atenção.
_Oi, vim buscar minha prova, ela diz, um tanto esbaforida.
Ele, sorrindo ainda, pergunta: _Você veio aqui só pra isso?
(Não, eu vim pra ver você, porque não sei quando terei o prazer de me sentar à sua frente novamente) _Sim.
_A sua prova está no meu carro. Você vai ficar pra próxima aula? Eu posso te entregar depois...
O pobre mestre sequer imaginava que dentro daquela Cabeça de Vulcão se passava a ideia: ótimo, eu vou ao seu carro pra apanhar a prova com você, e ao me entregar o papel, nossas mãos se tocam, nossos olhares se encontram, a gente se apaixona e foge.
_Não vou esperar. Foi só o que ela soube dizer.
_Você veio aqui só pra apanhar a MINHA prova?, ele abriu um sorriso ainda maior, o que parecia um deboche.
(Na verdade eu vim pra devolver um livro na biblioteca, mas como eu sabia que você estaria nessa sala, resolvi vir aqui pra ouvir mais uma vez esse sotaque puxado) _Foi.
_Você trabalha na Clínica do Santa Teresa?, o professor pergunta ao ver as iniciais no uniforme que aparecia mesmo com o sobretudo.
_Não, eu trabalho numa agência de viagens. E fechou o sobretudo, pensando por que diabos ele tinha de fazer uma pergunta tão aleatória? Não podia ter perguntado o que ela faria quando saísse dali? Não podia ter insistido pra que ela esperasse o horário do intervalo para que ele pudesse entregar-lhe a prova?
A prova pouco importava, tinha sido aprovada e isso era o que interessava. Abusando da liberdade recém-adquirida, riu e disse: _Bom, então eu vou ficar sem prova. Pode guardar.
Debochado, ele promete emoldurar o papel.
Usando da mesma artimanha, ela finda a conversa dizendo: _Quando eu for uma jornalista famosa, você poderá exibí-la orgulhoso dizendo que já foi meu professor.
Enquanto ele gargalha, ela se vira e sai, com a aba do casaco se movimentando, novamente a pisada firme e os passos largos seguem corredor afora. E os dois talvez nunca mais se encontrem.
_Oi, vim buscar minha prova, ela diz, um tanto esbaforida.
Ele, sorrindo ainda, pergunta: _Você veio aqui só pra isso?
(Não, eu vim pra ver você, porque não sei quando terei o prazer de me sentar à sua frente novamente) _Sim.
_A sua prova está no meu carro. Você vai ficar pra próxima aula? Eu posso te entregar depois...
O pobre mestre sequer imaginava que dentro daquela Cabeça de Vulcão se passava a ideia: ótimo, eu vou ao seu carro pra apanhar a prova com você, e ao me entregar o papel, nossas mãos se tocam, nossos olhares se encontram, a gente se apaixona e foge.
_Não vou esperar. Foi só o que ela soube dizer.
_Você veio aqui só pra apanhar a MINHA prova?, ele abriu um sorriso ainda maior, o que parecia um deboche.
(Na verdade eu vim pra devolver um livro na biblioteca, mas como eu sabia que você estaria nessa sala, resolvi vir aqui pra ouvir mais uma vez esse sotaque puxado) _Foi.
_Você trabalha na Clínica do Santa Teresa?, o professor pergunta ao ver as iniciais no uniforme que aparecia mesmo com o sobretudo.
_Não, eu trabalho numa agência de viagens. E fechou o sobretudo, pensando por que diabos ele tinha de fazer uma pergunta tão aleatória? Não podia ter perguntado o que ela faria quando saísse dali? Não podia ter insistido pra que ela esperasse o horário do intervalo para que ele pudesse entregar-lhe a prova?
A prova pouco importava, tinha sido aprovada e isso era o que interessava. Abusando da liberdade recém-adquirida, riu e disse: _Bom, então eu vou ficar sem prova. Pode guardar.
Debochado, ele promete emoldurar o papel.
Usando da mesma artimanha, ela finda a conversa dizendo: _Quando eu for uma jornalista famosa, você poderá exibí-la orgulhoso dizendo que já foi meu professor.
Enquanto ele gargalha, ela se vira e sai, com a aba do casaco se movimentando, novamente a pisada firme e os passos largos seguem corredor afora. E os dois talvez nunca mais se encontrem.
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Terça-feira, 30 de Junho de 2009
30/06 - Diário de uma universitária
Terça-feira, 06:45 a.m. Acabo de tomar o terceiro ônibus. O termômetro da rodoviária marca aconchegantes 14ºC. Pelo visto já não está tão frio como quando saí de casa. E que diabos estou eu fazendo acordada no centro da cidade, na terceira condução, a essa hora? Indo pra faculdade, oras. Sigo rumo à última prova do semestre, a de Português. Não, eu não estudei. E por pouco não perco essa também, visto que não consegui acordar cedo pra fazer a prova anterior. Como essa é a última chance e Português é uma matéria na qual eu não me permitiria ficar reprovada, lá vou eu.
Depois de chopes, Bauernfest, uma tentativa frustrada de dormir à 01 da manhã, acordei às 05:30 e me pus a tomar coragem para levantar, partir praquele banho de susto – e eu nem lavei o cabelo, me vestir de Harry Potter e sair para encarar o primeiro lotação, no sentido amplo da palavra, que já veio lotado. Segundo round, troco de ônibus e sigo em pé novamente. Com o frio, volta ele, o ouvido direito, a doer. É assim desde que (Murphy, oi?) quase perfurei o tímpano com um cotonete ao esquecê-lo no orifício auricular. Como alguém ESQUECE que está com cotonete no ouvido e ACERTA o braço nele ao passar a alça da bolsa pelo OMBRO? Pois é, você não faz ideia? Nem eu. Aquele barulho todo de gente falando de manhã, o ouvido dando sinais de chilique, espreme daqui e dali, e em dado momento eu chego a agradecer aliviada por não ter a região glútea bem desenvolvida, ou:
- eu a teria perdido;
- poderíamos caracterizar o que aconteceu a seguir como um típico caso de assédio sexual em transporte público;
- dois corpos ocupariam o mesmo espaço e a Física nunca mais seria a mesma.
Desembarco do inferno e vou para um inferninho, micro-ônibus (é assim que se escreve agora?) e então consigo chegar à faculdade. Adentro os corredores frios do prédio que mais parece um hospital vazio em seu silêncio e seu branco intimidador. Meia dúzia de gatos pingados que também perderam a AV2 chegam para a avaliação que não dura nem trinta minutos, cheia de signos e outras coisas que nem sei o que significam (mas também, quem mandou não assistir às aulas online?).
07:35 e estou escrevendo enquanto caminho para o trabalho pela sombra, e juro que ela está úmida. É a segunda ou terceira vez em seis meses que vejo o sol nascendo e a cidade acordando. O trânsito flui estressado e um carro passa ao som de Michael Jackson, porque agora vai ser esse inferno e essa reprodução maçante de clássicos do falecido astro louco e decadente.
Só lamento não ter em punho uma câmera para fotografar esse começo de terça-feira, nem que seja para provar que de vez em nunca quando eu acordo cedo. Encerro por aqui a transmissão, porque as pessoas olham de um jeito estranho ao me verem andando e escrevendo. Poderia fingir que sou repórter. Qualquer um pode ser jornalista mesmo, com essa cara séria eu engano bem, e...tá, parei.
Só me falta ter ido mal na prova e ser reprovada logo em Português...
Depois de chopes, Bauernfest, uma tentativa frustrada de dormir à 01 da manhã, acordei às 05:30 e me pus a tomar coragem para levantar, partir praquele banho de susto – e eu nem lavei o cabelo, me vestir de Harry Potter e sair para encarar o primeiro lotação, no sentido amplo da palavra, que já veio lotado. Segundo round, troco de ônibus e sigo em pé novamente. Com o frio, volta ele, o ouvido direito, a doer. É assim desde que (Murphy, oi?) quase perfurei o tímpano com um cotonete ao esquecê-lo no orifício auricular. Como alguém ESQUECE que está com cotonete no ouvido e ACERTA o braço nele ao passar a alça da bolsa pelo OMBRO? Pois é, você não faz ideia? Nem eu. Aquele barulho todo de gente falando de manhã, o ouvido dando sinais de chilique, espreme daqui e dali, e em dado momento eu chego a agradecer aliviada por não ter a região glútea bem desenvolvida, ou:
- eu a teria perdido;
- poderíamos caracterizar o que aconteceu a seguir como um típico caso de assédio sexual em transporte público;
- dois corpos ocupariam o mesmo espaço e a Física nunca mais seria a mesma.
Desembarco do inferno e vou para um inferninho, micro-ônibus (é assim que se escreve agora?) e então consigo chegar à faculdade. Adentro os corredores frios do prédio que mais parece um hospital vazio em seu silêncio e seu branco intimidador. Meia dúzia de gatos pingados que também perderam a AV2 chegam para a avaliação que não dura nem trinta minutos, cheia de signos e outras coisas que nem sei o que significam (mas também, quem mandou não assistir às aulas online?).
07:35 e estou escrevendo enquanto caminho para o trabalho pela sombra, e juro que ela está úmida. É a segunda ou terceira vez em seis meses que vejo o sol nascendo e a cidade acordando. O trânsito flui estressado e um carro passa ao som de Michael Jackson, porque agora vai ser esse inferno e essa reprodução maçante de clássicos do falecido astro louco e decadente.
Só lamento não ter em punho uma câmera para fotografar esse começo de terça-feira, nem que seja para provar que de vez em nunca quando eu acordo cedo. Encerro por aqui a transmissão, porque as pessoas olham de um jeito estranho ao me verem andando e escrevendo. Poderia fingir que sou repórter. Qualquer um pode ser jornalista mesmo, com essa cara séria eu engano bem, e...tá, parei.
Só me falta ter ido mal na prova e ser reprovada logo em Português...
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Clientes
Eles são apressados, alguns divertidos, outros muquiranas, e uns muitos até meio loucos. Na minha atual profissão, me deparo com todo tipo de gente e nas mais inusitadas situações. Calma, se é a primeira vez que você me lê, saiba que eu sou agente de viagens, ao menos por enquanto. Ocorre que a política da empresa onde trabalho prega o atendimento personalizado, um relacionamento próximo com os clientes, dando todo o suporte, atenção, fazendo todas as vontades dos clientes e muitas vezes até oferecendo consultorias sobre serviços pelos quais não somos remunerados, tudo para manter a “fidelidade”. Não falo em tom de lamentação, sei que às vezes é preciso perder para ganhar. É com a maior boa vontade que pesquiso as menores tarifas, melhores horários, hotéis em categoria econômica e consigo fechar aquele pacotão de promoção pra Porto Seguro na baixa temporada, onde paga um, viajam dois, e o agente ganha por meio passageiro. A minha conta bancária é que não gosta muito, mas estamos aqui pra isso.
Nessa de manter contato com os clientes, alguns que viajam sempre a trabalho e por isso me procuram semanalmente, acabei perdendo as formalidades com vários deles. O legal é que isso parte dos mesmos. E o bom é que nenhum desses clientes mais chegados jamais me desrespeitou. Só que a proximidade faz com que eles se sintam à vontade o suficiente pra que questionar coisas pessoais, e me atender nas situações mais adversas. Esta semana mesmo, uma cliente nova resolveu fechar a compra de umas passagens, e após alguns telefonemas e-mails, quando liguei para informar-lhe sobre a emissão dos bilhetes, a mesma me atendeu escovando os dentes. Eu só avisei que havia enviado os e-tickets e passei os valores, ao que ela me respondia "uhum, rou rer" (vou ver). A amiga dela, por sinal, me ligou enquanto almoçava pra passar os dados do cartão e falava comigo enquanto comia.
Há também os clientes bonzinhos, que vivem fazendo agrados, uma vovó que me leva rosas e chocolates, e os médicos. Ah, eu adoro os médicos. Um deles fez uma série de perguntas acerca do meu piercing no nariz enquanto eu emitia uma passagem pra Ribeirão Preto. Perguntou até se eu não tinha medo de ficar agarrada em alguma coisa, e ao contar das demais perfurações, percebi que ele se recolhia na cadeira. Nunca mais comprou nada comigo. Inclusive o meu piercing virou referência. Pelo menos foi o que um dos clientes usou pra descrever ao sobrinho a agente que o tinha atendido. Era fácil: a moça com piercing no nariz. Voltando aos doutores, um deles hoje mesmo pediu o histórico de problemas de circulação em minha família, pois notou que minhas mãos estavam roxas. Um frio cadavérico aqui e o senhor acha anormal que eu esteja com as mãos geladas? Tudo bem, segundo o mesmo eu tenho problemas de circulação reno (vascular???) , e por isso meus pés e mãos não esquentam facilmente. E se os clínicos não me bastam, o veterinário ao me ver de tala resolveu me prescrever uma pomada à base de pimenta e de nome sugestivo para tratamento de tendinite: Moment. Só eu imaginei que o nome cairia perfeitamente num lubrificante?
É claro que a minha mesa serve de consultório de psicanálise e vários deles me contam suas vidas, entre dramas e comédias, me fazem checar os equipamentos, coberturas de seguro por morte e os mais variados acidentes. E há os solteiros que querem cama de casal. Os que não gostaram do croissant no café da manhã. Os que me pedem pra checar horário de ônibus. As que não querem viajar menstruadas. E os que sequer se lembram as datas das suas viagens e se sentem amparados pelo profissional representado aqui por mim, pois segundo um deles, nada como ter uma agente de viagens pra chamar de nossa.
Nessa de manter contato com os clientes, alguns que viajam sempre a trabalho e por isso me procuram semanalmente, acabei perdendo as formalidades com vários deles. O legal é que isso parte dos mesmos. E o bom é que nenhum desses clientes mais chegados jamais me desrespeitou. Só que a proximidade faz com que eles se sintam à vontade o suficiente pra que questionar coisas pessoais, e me atender nas situações mais adversas. Esta semana mesmo, uma cliente nova resolveu fechar a compra de umas passagens, e após alguns telefonemas e-mails, quando liguei para informar-lhe sobre a emissão dos bilhetes, a mesma me atendeu escovando os dentes. Eu só avisei que havia enviado os e-tickets e passei os valores, ao que ela me respondia "uhum, rou rer" (vou ver). A amiga dela, por sinal, me ligou enquanto almoçava pra passar os dados do cartão e falava comigo enquanto comia.
Há também os clientes bonzinhos, que vivem fazendo agrados, uma vovó que me leva rosas e chocolates, e os médicos. Ah, eu adoro os médicos. Um deles fez uma série de perguntas acerca do meu piercing no nariz enquanto eu emitia uma passagem pra Ribeirão Preto. Perguntou até se eu não tinha medo de ficar agarrada em alguma coisa, e ao contar das demais perfurações, percebi que ele se recolhia na cadeira. Nunca mais comprou nada comigo. Inclusive o meu piercing virou referência. Pelo menos foi o que um dos clientes usou pra descrever ao sobrinho a agente que o tinha atendido. Era fácil: a moça com piercing no nariz. Voltando aos doutores, um deles hoje mesmo pediu o histórico de problemas de circulação em minha família, pois notou que minhas mãos estavam roxas. Um frio cadavérico aqui e o senhor acha anormal que eu esteja com as mãos geladas? Tudo bem, segundo o mesmo eu tenho problemas de circulação reno (vascular???) , e por isso meus pés e mãos não esquentam facilmente. E se os clínicos não me bastam, o veterinário ao me ver de tala resolveu me prescrever uma pomada à base de pimenta e de nome sugestivo para tratamento de tendinite: Moment. Só eu imaginei que o nome cairia perfeitamente num lubrificante?
É claro que a minha mesa serve de consultório de psicanálise e vários deles me contam suas vidas, entre dramas e comédias, me fazem checar os equipamentos, coberturas de seguro por morte e os mais variados acidentes. E há os solteiros que querem cama de casal. Os que não gostaram do croissant no café da manhã. Os que me pedem pra checar horário de ônibus. As que não querem viajar menstruadas. E os que sequer se lembram as datas das suas viagens e se sentem amparados pelo profissional representado aqui por mim, pois segundo um deles, nada como ter uma agente de viagens pra chamar de nossa.
Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Does she look like a whore?
Antes de mais nada, essa é só uma análise superficial que resolvi compartilhar aqui com quem me lê a partir de um fato recente. Não fiquei magoada, e sim intrigada, sobre que fatores podem classificar uma mulher. Remoí isso por duas semanas e resolvi escrever sobre.
Geralmente eu trato desses assuntos no meu outro blog, o Diário de Solteiro. O Rose, a Rosa é algo mais “minha vidinha”. Aqui eu posto as minhas coisas mais bobas, meus devaneios e também a minha opinião acerca de algumas coisas que não cabem no Diário. E por ser o meu mundinho, só os mais “chegados” me leem aqui. É por isso que o assunto em questão vai ser desfiado nas linhas que me cabem nesta página.
Tudo começa com uma questão de preconceito e visão superficial, de fantasia. Mas também parte do que eu passo pro mundo. Foi assim que me falaram que eu estava no maior (e melhor) estilo Whore. Pra quem não sabe, o termo quer dizer puta. Eu prefiro sinceramente acreditar não foi no sentido pejorativo, e sim erótico, da palavra. Ainda assim, ser chamada de puta é ofensa. Surge então o preconceito da sociedade, uma puta é imoral. No final das contas, uma puta nada mais é do que uma mulher que vende o seu corpo. Daí vem uma sequência de valores que a julgam e tudo o mais. Só que essa é outra questão que não vou analisar aqui, eu quero chegar no seguinte ponto: eu não sou puta, portanto, foi uma ofensa. Imagem é aquilo que os outros veem, então, será que é assim que sou vista?
Quem lê deve estar se perguntando porque fui intitulada como tal, talvez até imaginando que eu estava me vendendo, fazendo altas baixarias ou alguma imoralidade. Eu só tinha uma meia calça rasgada. Isso, aliado ao meu cabelo vermelho, aos meus ombros desnudos e ao meu jeito “mulherão” de falar tudo, expor assuntos polêmicos e acabar abrindo minha vida e meu ponto de vista, que não é lá muito ortodoxo. Talvez uma Rose tenha sido criada pelos que lêem minhas histórias, meus questionamentos. Mas por trás dela há uma pessoa que acorda cedo, trabalha até tarde, fica sem dinheiro, se acha gorda, não tem tempo de fazer as unhas. Há uma mulher sozinha que quer sim um cara pra gostar, e que goste dela. Há, como me falaram ontem, um coração mole por baixo dessa casca grossa.
Eu quero seduzir alguém, mas não quero seduzir todo mundo. Quero me sentir bonita, me achar gostosa de vez em quando, receber um elogio. Todo mundo quer, todo mundo gosta disso. Por que ser assim é parecer oferecida, dada, sexual, e não sensual? E por que ser sensual pode soar promíscuo? Que valores são esses que fazem uma pessoa ser rotulada como puta quando ela sequer expõe seu corpo oferecendo-se como um produto? Porque temos de ser mulheres submissas, frágeis, escondidas? Estou farta dos homens que dizem se assustam com isso, com as mulheres que falam o que querem, que chegam junto, que não se escondem sob uma forma recatada. E farta das outras mulheres que julgam umas as outras por um comportamento que é diferente do delas, quando no final, a mesquinhez e a futilidade dessas são piores do que qualquer decote ousado ou verbo chulo proferido.
Ainda estou perdida nos valores, eu acho. Minha “liberdade” sexual, meu jeito “lascivo” ou seja lá o que for não fazem de mim, nem de qualquer pessoa, alguém bom ou ruim, respeitoso ou não. Pior é trair, é brigar por causa de homem/mulher, é usar de jogos baixos pra seduzir. Eu jogo limpo. Aliás, quem me conhece sabe que eu não gosto de jogo. Por isso eu sou direta, se eu quero, é sim. Se não quero, deixo isso em letras garrafais pra que não haja dúvidas. HOJE eu sou assim. Já fui diferente, já tive uma concepção muito estreita de valores e comportamento. Eu me exponho sim, dou a cara a tapa e tenho noção disso. Provoco quando eu quero sim. E até quando não quero. Ao menos não faço uso da dissimulação pra me autopromover ou angariar uma meia dúzia de elogios. Sei o que acontece quando me exibo, e se eu me interesso por alguém, eu não escondo.
As relações são o emaranhado de mentiras e desentendimento porque não há comunicação direta entre as partes, um tem sempre de enganar ao outro, enrolar, desdenhar pra “ter valor”. Não há objetividade e por isso estamos fadados a falhar miseravelmente como humanos, porque valorizamos superficialidades. Não seria mais prático se todos fossem honestos e demonstrassem que tem interesses? Acho que é mais difícil sair de uma relação do que fazer jogo pra entrar nela. Os homens falham ao determinar que uma mulher é ou não “direita”, “pra casar” pelas preferências dela na cama. As mulheres falham ao achar que homem que presta tem de pagar a conta e abrir a porta do carro. E um acidente com a sua meia calça pode determinar a sua personalidade...
Geralmente eu trato desses assuntos no meu outro blog, o Diário de Solteiro. O Rose, a Rosa é algo mais “minha vidinha”. Aqui eu posto as minhas coisas mais bobas, meus devaneios e também a minha opinião acerca de algumas coisas que não cabem no Diário. E por ser o meu mundinho, só os mais “chegados” me leem aqui. É por isso que o assunto em questão vai ser desfiado nas linhas que me cabem nesta página.
Tudo começa com uma questão de preconceito e visão superficial, de fantasia. Mas também parte do que eu passo pro mundo. Foi assim que me falaram que eu estava no maior (e melhor) estilo Whore. Pra quem não sabe, o termo quer dizer puta. Eu prefiro sinceramente acreditar não foi no sentido pejorativo, e sim erótico, da palavra. Ainda assim, ser chamada de puta é ofensa. Surge então o preconceito da sociedade, uma puta é imoral. No final das contas, uma puta nada mais é do que uma mulher que vende o seu corpo. Daí vem uma sequência de valores que a julgam e tudo o mais. Só que essa é outra questão que não vou analisar aqui, eu quero chegar no seguinte ponto: eu não sou puta, portanto, foi uma ofensa. Imagem é aquilo que os outros veem, então, será que é assim que sou vista?
Quem lê deve estar se perguntando porque fui intitulada como tal, talvez até imaginando que eu estava me vendendo, fazendo altas baixarias ou alguma imoralidade. Eu só tinha uma meia calça rasgada. Isso, aliado ao meu cabelo vermelho, aos meus ombros desnudos e ao meu jeito “mulherão” de falar tudo, expor assuntos polêmicos e acabar abrindo minha vida e meu ponto de vista, que não é lá muito ortodoxo. Talvez uma Rose tenha sido criada pelos que lêem minhas histórias, meus questionamentos. Mas por trás dela há uma pessoa que acorda cedo, trabalha até tarde, fica sem dinheiro, se acha gorda, não tem tempo de fazer as unhas. Há uma mulher sozinha que quer sim um cara pra gostar, e que goste dela. Há, como me falaram ontem, um coração mole por baixo dessa casca grossa.
Eu quero seduzir alguém, mas não quero seduzir todo mundo. Quero me sentir bonita, me achar gostosa de vez em quando, receber um elogio. Todo mundo quer, todo mundo gosta disso. Por que ser assim é parecer oferecida, dada, sexual, e não sensual? E por que ser sensual pode soar promíscuo? Que valores são esses que fazem uma pessoa ser rotulada como puta quando ela sequer expõe seu corpo oferecendo-se como um produto? Porque temos de ser mulheres submissas, frágeis, escondidas? Estou farta dos homens que dizem se assustam com isso, com as mulheres que falam o que querem, que chegam junto, que não se escondem sob uma forma recatada. E farta das outras mulheres que julgam umas as outras por um comportamento que é diferente do delas, quando no final, a mesquinhez e a futilidade dessas são piores do que qualquer decote ousado ou verbo chulo proferido.
Ainda estou perdida nos valores, eu acho. Minha “liberdade” sexual, meu jeito “lascivo” ou seja lá o que for não fazem de mim, nem de qualquer pessoa, alguém bom ou ruim, respeitoso ou não. Pior é trair, é brigar por causa de homem/mulher, é usar de jogos baixos pra seduzir. Eu jogo limpo. Aliás, quem me conhece sabe que eu não gosto de jogo. Por isso eu sou direta, se eu quero, é sim. Se não quero, deixo isso em letras garrafais pra que não haja dúvidas. HOJE eu sou assim. Já fui diferente, já tive uma concepção muito estreita de valores e comportamento. Eu me exponho sim, dou a cara a tapa e tenho noção disso. Provoco quando eu quero sim. E até quando não quero. Ao menos não faço uso da dissimulação pra me autopromover ou angariar uma meia dúzia de elogios. Sei o que acontece quando me exibo, e se eu me interesso por alguém, eu não escondo.
As relações são o emaranhado de mentiras e desentendimento porque não há comunicação direta entre as partes, um tem sempre de enganar ao outro, enrolar, desdenhar pra “ter valor”. Não há objetividade e por isso estamos fadados a falhar miseravelmente como humanos, porque valorizamos superficialidades. Não seria mais prático se todos fossem honestos e demonstrassem que tem interesses? Acho que é mais difícil sair de uma relação do que fazer jogo pra entrar nela. Os homens falham ao determinar que uma mulher é ou não “direita”, “pra casar” pelas preferências dela na cama. As mulheres falham ao achar que homem que presta tem de pagar a conta e abrir a porta do carro. E um acidente com a sua meia calça pode determinar a sua personalidade...
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Sábado, 20 de Junho de 2009
Cem Diproma
O título debochado partiu de um e-mail que recebi da Jean, mas após ler opiniões de todos os lados acerca da votação do Supremo que determinou a queda na obrigatoriedade do diploma de Jornalismo, eu tenho de dar meu pitaco sobre o assunto. Tudo porque eu, depois de oito anos entre a espera pela faculdade de Letras que nunca abria turma, e pela indecisão entre os cursos de Psicologia e Jornalismo, em fevereiro passado eu optei por este último. E fiz bem. Na primeira aula de Introdução às Profissões em Jornalismo eu tive certeza de que é disso que quero viver. Quero ter como profissão a ponte entre a notícia e o leitor, quero viver de escrever, de criar por palavras. Mesmo com essa história toda, eu sei que ainda quero ser Jornalista. Ou melhor, eu já posso ser Jornalista, visto que agora qualquer um pode.
E quanto à faculdade? Já ouvi discursos pessimistas, desanimados, gente dizendo que estou jogando tempo e dinheiro fora e me aconselhando a mudar de curso. Mas ainda quero o conhecimento acadêmico da profissão. Embora eu saiba que o talento, a dedicação e a experiência importem mais que um diploma, há padrões, metodologias e toda uma estrutura de informações que devem ser estudados, e receio que não vá encontrá-los facilmente fora da universidade. É com isso que me preocupo. E com a “prostituição” do mercado, já que ao passo que qualquer um pode exercer a profissão, haverá uma oferta muito maior de serviços a preço de banana.
Quem estudou, se dedicou, aturou aulas chatas e virou noites sobre livros e artigos agora é, de certa forma, desvalorizado. Desvalorizado sim porque todo o trabalho de uma vida acadêmica e a prova sumária dele – o diploma – foram vistos, aos olhos dos senhores juízes, como supérfluos. Desnecessários. Claro que o conhecimento adquirido não se perde e isso faz diferença na hora de se reconhecer um trabalho sério e digno. Quanto a isso, os diplomados são seguros. Contudo, salvo casos raros de quem tem o dom mas não tem os meios para se tornar um diplomado e poder “jornalistar”, o curso deveria ter o direito de ser visto como os demais. Por que a profissão Jornalista não precisa de uma formação? Muita gente também pode administrar, gerenciar, sem cursar Administração. Eu não sou enfermeira e sei aferir pressão, fazer curativo. Por que quem quer viver de Jornalismo não pode se dar ao trabalho de estudar e se formar, como nas demais profissões?
Se eu vou me beneficiar com isso, podendo entrar na área sem ter me formado, a resposta é sim. Mas não é algo de que eu me orgulhe, e pretendo continuar estudando Jornalismo. E temo pelos que podem fazer da profissão um circo de tragédias visto que, se com curso e formação, muitos profissionais já o fazem, imaginem a “casa da Mãe Joana” que os novos jornalistas autodidatas podem criar.Os doutores do Tribunal que me perdoem, mas o que eles fizeram diminui, no que tange ao respeito e ao valor, uma classe de extrema importância na Comunicação.
E quanto à faculdade? Já ouvi discursos pessimistas, desanimados, gente dizendo que estou jogando tempo e dinheiro fora e me aconselhando a mudar de curso. Mas ainda quero o conhecimento acadêmico da profissão. Embora eu saiba que o talento, a dedicação e a experiência importem mais que um diploma, há padrões, metodologias e toda uma estrutura de informações que devem ser estudados, e receio que não vá encontrá-los facilmente fora da universidade. É com isso que me preocupo. E com a “prostituição” do mercado, já que ao passo que qualquer um pode exercer a profissão, haverá uma oferta muito maior de serviços a preço de banana.
Quem estudou, se dedicou, aturou aulas chatas e virou noites sobre livros e artigos agora é, de certa forma, desvalorizado. Desvalorizado sim porque todo o trabalho de uma vida acadêmica e a prova sumária dele – o diploma – foram vistos, aos olhos dos senhores juízes, como supérfluos. Desnecessários. Claro que o conhecimento adquirido não se perde e isso faz diferença na hora de se reconhecer um trabalho sério e digno. Quanto a isso, os diplomados são seguros. Contudo, salvo casos raros de quem tem o dom mas não tem os meios para se tornar um diplomado e poder “jornalistar”, o curso deveria ter o direito de ser visto como os demais. Por que a profissão Jornalista não precisa de uma formação? Muita gente também pode administrar, gerenciar, sem cursar Administração. Eu não sou enfermeira e sei aferir pressão, fazer curativo. Por que quem quer viver de Jornalismo não pode se dar ao trabalho de estudar e se formar, como nas demais profissões?
Se eu vou me beneficiar com isso, podendo entrar na área sem ter me formado, a resposta é sim. Mas não é algo de que eu me orgulhe, e pretendo continuar estudando Jornalismo. E temo pelos que podem fazer da profissão um circo de tragédias visto que, se com curso e formação, muitos profissionais já o fazem, imaginem a “casa da Mãe Joana” que os novos jornalistas autodidatas podem criar.Os doutores do Tribunal que me perdoem, mas o que eles fizeram diminui, no que tange ao respeito e ao valor, uma classe de extrema importância na Comunicação.
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Senhor cantor
...que enche a noite com a seda do seu tom, fala de amor como quem lapida uma jóia e diz da tristeza uma encantadora beleza, dê o brilho do seu som à minha dor. Em seu repertório, melancolia e samba habitam o espaço frio. As cordas de aço dedilhadas por mãos delicadas fazem do áspero, leveza. E a voz que remete ao Chico é calmaria, e se cantas ao meu pedido, Cotidiano me inebria.
Suave é a entonação com que desenha os versos, e ao falar de alegria, senhor cantor, levas embora toda a amargura arredia. As palavras em rima tornam colorido o cinza, e até a noite é conforto pra quem fica só, mesmo que a ausência no travesseiro ao lado corte o coração e tire o sono. Queria eu falar de romance como cantas, senhor cantor, em tanta harmonia. Ainda que doa cantar a tristeza de um amor, o que se mantém belo nas palavras é sagrado aos ouvidos de quem sente.
E por mais que doa ouvir um sentimento bonito, quem não o tem sabe o que é o conflito de estar em busca de algo perdido. Pois o que se pode esperar quando o frio invade o sono dos que são sozinhos? Além da poesia bela e triste, não há alento em braços ausentes. Fico então com a bossa e a voz macia.
Suave é a entonação com que desenha os versos, e ao falar de alegria, senhor cantor, levas embora toda a amargura arredia. As palavras em rima tornam colorido o cinza, e até a noite é conforto pra quem fica só, mesmo que a ausência no travesseiro ao lado corte o coração e tire o sono. Queria eu falar de romance como cantas, senhor cantor, em tanta harmonia. Ainda que doa cantar a tristeza de um amor, o que se mantém belo nas palavras é sagrado aos ouvidos de quem sente.
E por mais que doa ouvir um sentimento bonito, quem não o tem sabe o que é o conflito de estar em busca de algo perdido. Pois o que se pode esperar quando o frio invade o sono dos que são sozinhos? Além da poesia bela e triste, não há alento em braços ausentes. Fico então com a bossa e a voz macia.
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